Capítulo 39

*** AVISO: CAPÍTULO INDECENTE ***

Quase três meses depois, no aniversário de 30 anos da Anna Lara…

O tempo passou depressa por mim e hoje chego aos meus trinta anos. Tinha uma viagem  de trem programada com a Heidi, seria uma aventura nossa, onde passaríamos quase um mês conhecendo todos os lugares mais incríveis do interior da França, chegando até a Alemanha. Essa viagem só aconteceria se nossos planos para termos um bebê não vingassem… sim! Fazíamos planos para ter nosso filho e eu já tinha, inclusive, congelado os óvulos que me sobraram da minha última internação cirúrgica, antes de retirar completamente meu útero e os ovários. 

As chances de conseguirmos esse filho eram remotas porque a Heidi tem endometriose, o que dificultaria qualquer processo de fertilização in vitro, além da óbvia busca por um doador de sêmen que ambas concordassem – Heidi queria um doador negro e eu queria um doador que se assemelhasse ao Jota, o que resultou em uma discussão sem fim, até o dia em que fui embora de sua vida e acabamos não falando mais sobre isso.

Tento esquecer um pouco dos meus planos com ela e pensar na minha vida com ele, o homem da minha vida, também chamado carinhosamente de “Meu Cafajeste Preferido” em uma alusão ao desenho que Davi adora assistir, “Meu Malvado Favorito”.

Jota resolveu fazer uma festa de aniversário e alugou a cobertura cinematográfica de um amigo, na Delfim Moreira. Ele disse que a cobertura foi emprestada, mas eu sei que ele pagou para colocar tudo o que quisesse ali dentro, e isso “tudo” inclui mulheres, homens e todo tipo de droga existente.

Contratei o Rogério, meu maquiador e cabelereiro preferido, e, depois de muito tempo, consegui olhar para uma Anna Lara parecida com aquela menina puta, devassa e curiosa que percorria o circuito Rio-São Paulo com o marido promíscuo a tiracolo, chupando todos os paus que aparecessem pelo caminho e abrindo a buceta e meu rabo na mesma proporção para quem quisesse saboreá-los. Sabia que encontraria vários corpos esperando pela minha presença, mas o corpo que eu gostaria de tocar era o da minha ex-mulher, da minha Heidi, com sua pele aveludada e seu toque delicado…

Chegando na festa, abro um pouco o vestido vermelho que esconde meu corpo impuro, para poder respirar melhor. Observo o universo de amigos e desconhecidos que vêm em minha direção para cumprimentar-me e busco por uma amiga em especial, minha Méli. Vejo a Nicole no canto da sala buscando uma taça de Champagne e corro para seu encontro.

– Oi Nic! Tudo bem?

– Hei Anna Lara! A aniversariante mais arretada de todo esse Rio de Janeiro! – fala a namorada da minha melhor amiga, com seu inconfundível sotaque de Salvador. – Parabéns minha linda!

– Obrigada Nic! Cadê a Méli? Ela ainda não chegou?

– Claro que sim! Está ali no banheiro, minha linda! Foi aliviar a bexiga.

– Ah, sim… vou lá falar com ela. Já volto Nic!

– Tá bom meu “amô”…

Entro em três banheiros atrás da Méli até chegar no banheiro da suíte. Quando abro a porta, encontro meu Jota apoiado sobre a bancada de mármore branca, dando sua bunda para um homem negro enorme, que continua o comendo mesmo sabendo que eu estou ali, observando tudo.

Assusto-me com a cena, já que a virilidade do Jota era a de um verdadeiro “garanhão”, comedor de todas as mulheres que se aproximavam dele… já vi em algumas poucas vezes o Jota nessa posição, mas sempre em um contexto comigo e outras mulheres, jamais transando a sós com um homem. 

– Jota! Você… você é gay?

Ele para o que está fazendo, se vira e me encara: 

– Anna Lara, para de ser ridícula! Eu sou multisexual, sou hétero, mas também sou bi. Sou tudo o que eu quiser, porra! Qual o problema de transar com um homem, você não foi casada com uma mulher também?

– Sim, mas…

– Anna Lara, para de besteira! Vem, vamos transar com o Caio e curtir juntos… é seu aniversário, meu amor!

– Por isso mesmo!!! Você deveria estar comigo, Jota! Não dando o rabo para um cara qualquer!

Nesse momento o homem negro, do alto dos seus 1,90 m se aproxima de mim, afasta meu cabelo para trás da orelha e sussurra com sua voz grossa: 

– Mas eu não sou um qualquer, Anna Lara, sou o cara que come seu marido de vez em quando… e que agora vai comer você, bem gostoso… de presente de aniversário…

Ele começa a me beijar e sinto um tesão extraordinário, algo totalmente fora do meu normal… vamos os três para a cama e ambos começam a me lamber de forma compulsiva, chupando meu clitóris, lambendo a parte interna da minha coxa e enfiando seus dedos de forma alternada no meu rabo. Gozo em milhões de pedaços dormentes de mim, em movimentos de contração e espasmos, em uma descarga de 220 volts. Fecho meus olhos e enxergo uma luz branca intensa, algo que me acalma ao mesmo tempo em que atordoa, estou completamente inerte, em uma posição de relaxamento como nunca antes havia sentido…

Vejo o Jota tocar de forma violenta no corpo do Caio, percebo sua língua entrar de forma suave na boca dele, ao mesmo tempo em que aperta seu pau com vontade e desejo. Ele pede para que o Caio molhe seu rabo, pede para que lhe dê leite… eu observo a cena com completa avidez e vejo meu marido sucumbir às enfiadas do Caio, com força e sem pudor algum. Vejo meu Jota gozar ferozmente e observo o líquido branco que escorre por entre suas pernas, lembrando-me de todas as vezes em que fui eu, “seu pote caseiro de gozo”, enquanto na rua, abastecia também outras mulheres famintas da sua porra…

Comemoramos a minha entrada nos trinta anos com Champagne, drogas, Naked Cake de frutas vermelhas e muitas gozadas… 

No dia seguinte…

Acordo com uma ressaca enorme, ainda na cobertura onde habita o demônio de todos os sexos… vou até a cozinha e busco uma xícara para tomar um Nespresso. Coloco logo três cápsulas e encho a xícara para poder voltar ao mundo dos vivos…

De repente, vejo uma menina loira sair para a área externa, em direção à piscina. Não entendo o que essa menina está fazendo no apartamento, ainda mais depois de tanta sacanagem que rolou aqui… vou até a parte externa e não encontro menina nenhuma. Tento acordar o Jota e o Caio, mas ambos estão dormindo abraçados e não me dão atenção alguma. Penso que devo estar ficando louca…

Volto para a área externa e mergulho nua na piscina gelada da cobertura. Um reflexo ofusca minha visão turva e, quando obro os olhos, vejo o rosto do Ricardo, desejando parabéns com um buquê de rosas vermelhas.

Morro de vergonha por estar nua, e em uma cena óbvia de sexo grupal recente; sei que Ricardo reprova essas práticas e que queria um outro destino para minha vida, algo que acomodasse um pouco de decência ou mesmo, algo mais aceitável para a mente de um cara “certinho”. 

Saio da piscina com todos os meus pelos pubianos expostos, com minha cara de vadia, com meu desejo em riste, com toda a vulgaridade que carrego no peito e na minha genitália; caminho em direção ao Ricardo com toda a vontade genuína de prostituir-me pelo prazer pecaminoso do mais cruel rival do meu amor, depois de tê-lo visto fazer um sexo puto e vulgar com um homem que deve ser seu amante ocasional, pelo grau de intimidade com que o pau desse estranho entrou no rabo do meu marido…

Beijo Ricardo de forma apaixonada, esquecendo-me por alguns segundos, do nojo extremo que tenho das suas mãos suadas, do seu cabelo ralo e loiro, do seu corpo esquálido e do seu pau cheio de pele… esqueço-me de quem é o Ricardo, da mesma forma que esqueço-me de quem sou eu ou de quem é qualquer um que habita esse pedaço do inferno do lado de cá da ponte…

Próxima leitura -> Capítulo 40

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Trilha Sonora: Love Galore – SZA ft. Travis Scott

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