Capítulo 14

O medo de perdê-lo me fez abrir a porta para uma infinidade de depravações, e o meu egoísmo me trouxe para o fundo do poço da moralidade, de onde minha alma vil não consegue reunir forças para sair.

O interfone toca. É o porteiro que me avisa que ali estão mais de dez vasos de flores e me pergunta se pode subir com eles. Quando abro a porta, vejo vários vasos; são de margaridas brancas ordinárias. Todos vêm acompanhados de poesias porcas e sentimentais. Não me rendo a elas nem ao encanto mafioso do meu marido promíscuo. Sou mais uma refém das suas artimanhas e mais uma das putas que pede seu sexo sujo a qualquer preço.

Estou com muita dor de cabeça. Não consigo comer nada… tomo uns dois calmantes e apago.

Acordo tarde e já me sinto um pouco melhor. Faço um café preto e tomo umas quatro ou cinco xícaras. Escuto músicas de piano por todo o dia e não me lembro de ligar para o escritório para avisar que não vou. Tenho certeza de que, se eu não fosse a “Sra. José Tavares”, já teria perdido meu emprego há muito tempo… Jota é um dos donos dessa agência; ele tem uma pequena participação, mas preferiu trocar seu rendimento mensal por uma posição para mim, com “honras e pompas”. Sim, sou uma espécie de sanguessuga de tudo o que diz respeito a meu marido, do seu dinheiro, da sua influência, do seu nome. Sou um nada, uma mulher que depende do marido para absolutamente tudo,inclusive para pagar a conta da psiquiatra que ele quis comer. Ou que quis dar para ele… ou os dois!

No final do dia, ele volta para casa. Ele me diz que não teve a intenção de me magoar, que me ama e que precisa de mim. Ajoelha-se e chora como um menino perdido. Não tenho forças para sair da vida dele. Amo-o tanto que, só de pensar que não vou ter o olhar dele, o cheiro e o abraço, já me falta o ar. Sou fraca o suficiente para não conseguir seguir minha vida sem o homem que me domina. Vou perdoar essa traição e esquecer esse dia. Nunca mais quero ouvir falar no nome dessa desgraçada ruiva! Não vou processá-la porque não posso colocar o nome do Jota em evidência. Seria um escândalo.

Deixo passar. Deixo tudo para trás. Levo comigo meu marido e minha nova vida. Uma vida nova, sem dores, sem traições e sem cheiro de morte. Uma vida. Quero mudar essa página; tentar viver sem ele não seria a solução; seria, ao contrário, o meu fim! Sei que é uma fraqueza de alma, de espírito. Tenho vergonha de mim. Vergonha de me encarar até no espelho do banheiro. Ele me oferece uma viagem a Nova York para passarmos uma temporada longe disso tudo. É uma das vantagens de se ter dinheiro. Tudo na vida é possível. Até mesmo esquecer um mau momento…

Viajamos no dia seguinte. Sem malas, só com a minha calça jeans True Religion, minha blusa preta, meu tênis preto e minha Gucci preta. Tudo preto e de luto. Como eu e minha alma maldita.

A viagem é ótima. Sinto-me bem melhor. Vamos a todos os nossos restaurantes preferidos, assistimos a todas as peças da Broadway e visitamos alguns museus. Nada muito programado, só nos preocupamos em viver o agora. Penso em ficar uma temporada maior na Big Apple. Imploro para que ele concorde, mas ele tem de voltar. Não pode se dar ao luxo de passar seis meses de férias…

Acabamos ficando quase dois meses em Nova York, em uma verdadeira lua de mel. Tudo correu melhor que o esperado. Fomos imensamente felizes nesses dois meses a ponto de, muitas vezes, não me lembrar do meu Miguel. Chegamos de viagem numa terça-feira. Lembro-me bem desse dia…

***

terça-feira, dia 31 de outubro de 2006

Jota retorna algumas mensagens deixadas no seu e-mail e fica umas duas horas falando ao telefone. Quando volta para a sala, está com uma expressão horrível… uma das ligações deixa-o bem abalado. Seu olhar demonstra desespero. Achei que poderia ser algo com sua mãe. Não era. Era muito, mas muito pior…

– O que foi, Jota? O que está acontecendo?

– Anna Lara, temos que conversar. Aconteceu uma coisa… ruim.

– O quê??? Fala logo, Jota!

Ele suspira, passa a mão no rosto em um gesto como se massageasse o nariz e contorna demoradamente as sobrancelhas até chegar no topete. Uma dor na espinha grita e me machuca. O silêncio sepulcral mata-me aos poucos…

– Jota… olha, por pior que seja isso que você tem para me contar, é melhor que conte logo, você não acha? Vamos acabar logo com isso!

– Anna Lara, você se lembra da viagem para Angra, na casa do Rogério?

Um frio invade minha alma… claro que eu lembro. Como não lembrar da vez em que fiz a maior orgia da minha vida, um ano antes de engravidar do meu filho, que agora não está mais aqui? Como não lembrar da viagem que meu marido indecentemente me ofereceu de brinde aos seus amigos de cachaça e drogas? Como não lembrar?

– Como assim, Jota? É claro que eu me lembro bem. Por quê?

Porque depois dessa viagem eu tive um relacionamento com a Joana…

O quê?? Você o quê? Meu Deus! Jota! Por quê? Por que foder com ela se tudo o que você sempre quis na cama eu te dei?

– Anna Lara…

– Cala a boca! Quem vai falar agora sou eu, seu pervertido! Seu canalha! Seu… merda! Você nunca está satisfeito, não é, Jota? Você sempre quer mais… sempre mais. Cada conquista na cama requer outra mais depravada, e outra, e outra… e você não consegue evitar, não é? Você é viciado em putaria, Jota! Esse é o seu vício!

– Anna Lara, eu me apaixonei por ela! Não foi putaria, foi um romance!

– Romance? – Nesse momento, o chão sai de baixo dos meus pés.

Não consigo acreditar no que estou ouvindo. Encosto na parede para não cair, minhas pernas ficam bambas e sinto um enjoo terrível. 

– Então é isso? Você se apaixonou por ela? Vai ficar com ela?

– Claro que não, Anna Lara. Eu já não sinto mais nada há muito tempo. Não deixei esse relacionamento ir para frente para não me perder de você. Você, sim, é a mulher da minha vida! Eu amo você!

– Então era isso? Você vem me dizer agora, depois de quase um ano, que dessa “orgia memorável” você resolveu namorar a mulher do seu amigo? Por que não colocou ela na “roda” também? Por quê? Ah, não. Você preferiu ter exclusividade com ela, né?

– Para, Anna Lara, não é isso…

– Então, o que é, Jota?? Não estou entendendo! Você sempre gostou de relacionamentos abertos em que ninguém é de ninguém e todo mundo transa com todo mundo. E agora você vem me dizer que teve um relacionamento de namorico com outra mulher? Quem é você, afinal de contas?

– O que rolou entre mim e a Joana foi uma exceção. Eu não gosto de mulher careta e não curto esse lance de romance, mas rolou uma química e acabamos saindo algumas vezes. Eu me sinto péssimo por isso, pode acreditar! Nunca ia te contar isso para não te magoar. No final, não representou absolutamente nada para mim. Foi um acidente de percurso que nada tem a ver com a nossa história…

– E por que você resolveu me contar isso agora, Jota? Por que simplesmente não guardou esse assunto com você? Por que me fazer sofrer agora? Depois do que aconteceu com a Dra. Kauffmann, aquele demônio ruivo, você resolveu ter um surto de franqueza e sinceridade???

– Não, Anna Lara… eu realmente errei em ter me envolvido com a Mariana e com a Joana. Me arrependo muito! Mas você sabe como eu sou. Às vezes, não consigo me controlar. Sou viciado em sexo, Anna Lara. Esse é o meu maior vício e você sabe disso.

– E esse vício está me matando, Jota… – Certo. Então, agora é a hora em que ele me pede desculpas, eu lhe perdoo e vamos para a nossa cama. Vamos voltar para a nossa vida. Não quero ceder tão depressa, mas a verdade é que não me importo tanto assim. Sei que ele é meu e só o que eu quero é diminuir a importância desse sexo sem proporções…

Ele respira fundo e passa as mãos no topete do cabelo preto. Está com aquela expressão de medo que eu conheço bem… Ai, Meu Deus! O que será que ainda há por vir?

– Anna Lara, eu queria poder parar com essa conversa agora, mas não posso…

O que foi, Jota? O que você está escondendo? Fala logo, seu cretino!!!

A Joana engravidou, Anna Lara. Engravidou de mim.

– O quê? — Pronto! Agora eu nunca mais vou conseguir me levantar e andar de novo como um alguém normal. Essa ferida vai me doer até o final dos meus dias e vai me levar para bem longe dele. Como ele pôde? Como??? Uma paralisia incontrolável toma conta de mim. Pareço dopada nesse instante e não tenho reação. Meu mundo está desabando e não consigo me mover…

– Como você pode ter certeza de que o filho é seu?

Ela fez o teste de DNA. Recebeu a resposta hoje. O filho é meu, Anna Lara.

O quê?

Ela esperou o bebê nascer para fazer um teste de dna e se certificar de que o Rômulo era o pai. Deu negativo. Ela teve certeza de que a única pessoa que poderia ser o pai era eu. Bom, ela foi um dia conversar comigo no escritório, e me pediu para fazer o teste.

– Quando foi isso, Jota?

Não lembro, Anna Lara, numa segunda ou terça, eu acho…

– No dia em que eu fui ao Centro, Jota! Por isso você chegou com cheiro de cigarro! Eu sabia que você estava estranho. E você fez o teste na hora?

– Eu não tinha escolha, Anna Lara! Se eu não o fizesse, ela entraria com um processo! E você sabe que não é bom para a imagem…

– Para a “imagem da empresa”, eu sei, Jota! Você se preocupa muito com a estúpida imagem da empresa!

– Eu fiz o teste no mesmo dia e pedi que ela me ligasse caso desse positivo. Mas ela não ligou, então pensei que estava tudo bem, que poderia ser de outra pessoa. Não sei com quantos caras ela transou na época. Ela estava esperando que chegássemos da nossa viagem, mas ficou com medo de que não voltássemos. Então, resolveu ligar para falar do resultado. A menina é minha filha, Anna Lara. — Uma queimação desce diretamente para o meu estômago e sinto meu coração acelerar ao máximo, como se eu fosse enfartar.

– Então, é uma menina?

– Sim. É uma menina.

E você quer ser pai dessa criança? — Uma dor aguda aperta meu peito e me falta ar. Tento puxar o mais forte que consigo, mas a sensação que tenho é a de que meus pulmões encolheram e não conseguem absorver a quantidade de ar que eu preciso. Minha bombinha… começo a procurar na minha bolsa, mas não consigo achar.

– O que foi, Anna Lara? Está sem ar? Calma… respira comigo…

A sensação piora e eu começo a ficar mais agoniada. As pontas dos meus dedos começam a ficar roxas. Meus pés estão dormentes e a dor no meu peito aumenta. Começo a achar que estou enfartando…

– Jota, me leva para o hospital! Me leva… — Um descontrole total assume meu corpo. Já não tenho mais o domínio das minhas atitudes. Meu organismo está completamente colapsado. Acho que é a forma que meu corpo encontrou para me ajudar a enfrentar essa situação. Fugindo e me fazendo de vítima. Doente. Muito doente a ponto de o meu marido não querer mais saber dessa criança e ficar só comigo. Só comigo.

– Calma, Anna Lara! Tenta ficar calma. Vai dar tudo certo, você vai ver. Só preciso que você tente digerir esse assunto. Vamos pensar de forma objetiva. A nossa vida vai continuar como está. E essa criança não vai atrapalhar em nada. Se você quiser, eu nem preciso conviver com ela…

Nesse momento, percebo a falsidade das palavras do Jota. Conheço meu marido e sei que ele está louco para conhecer essa criatura. Está louco para segurar esse bebê nos seus braços e olhar em seus olhos. Ele vai amar essa menina. E vai querer inseri-la na nossa vida. A minha raiva começa a melhorar a minha circulação, aquecendo meu sangue e me fazendo voltar ao meu estado “normal”. Acendo um cigarro, contrariando meu estado de falta de ar, e começo a fumá-lo com toda a força, como se quisesse trazer o máximo de nicotina aos meus já bombardeados pulmões…

– Você vai querer colocar essa menina no lugar do nosso Miguel… eu sei.

– Jamais vou fazer isso, Anna Lara! O Miguel sempre vai ter o lugar dele nos nossos corações. Essa é outra história!

– É, Jota. Essa é outra história. E essa história é só sua. Sua e da Joana.

– Anna Lara, não seja assim. É uma criança… vamos passar por isso juntos. Por favor…

– Juntos? Você acha que eu vou aceitar essa menina na minha casa? Você acha que eu vou conviver com esse “ser”, que você fez pelas minhas costas, e ser como uma segunda mãe para ela?

– Anna Lara, eu não espero que você seja mãe dessa menina nem que você faça nada por ela, mas você tem que entender que ela é minha filha. Eu não posso virar as costas para ela. Ela existe e eu preciso assumi-la, como um homem tem que fazer. Mas você é minha mulher, minha esposa. Isso não vai mudar. Eu posso não conviver com ela, mas também não posso “matá-la”!

– Então… parabéns. Você conseguiu ser pai, enfim. Alguém tinha que ser feliz no final dessa história, não é? – Não consigo mais conter a avalanche de lágrimas que escorrem pelo meu rosto e começo a soluçar. – Alguém tinha que pagar pelas atrocidades que fizemos durante todo esse tempo… e esse alguém foi o nosso filho! E eu…

– Anna Lara. Não faz isso! Foi um acidente de percurso. Você sabe que eu jamais quis ter filho com ninguém que não fosse com você. Muito menos agora que estamos passando por isso. Por favor, essa dor não é só sua. É minha também! Eu queria o Miguel! Queria muito! Mas ele se foi… ele tinha problemas. Você sabe…

– Não fala isso! Para!

– Não quero te machucar… quero que você entenda que foi uma fatalidade.

– Não, Jota! Não foi uma “fatalidade”; foi uma “irresponsabilidade”. Nós bebemos, fumamos, tomamos ácido, às vezes, e cheiramos também. Nós fizemos tudo o que não devíamos fazer. E cheiramos algumas vezes depois que descobrimos o resultado do exame. Nós somos culpados e não vítimas de uma casualidade do destino. E sabe por quê? Porque destino simplesmente não existe, Jota! Nós fazemos o nosso destino. Nós o fazemos. Você foi tão irresponsável quanto eu nessa gravidez e agora você quer ser o senhor certinho? Quer assumir suas responsabilidades? Vai fazer o quê? Vai parar de se drogar e fazer orgias para virar um pai-exemplo? Vai levar essa pirralha para o parquinho? Pois tomara que morra no balanço!

– Não fale assim, Anna Lara! Cuidado com a sua raiva!

– Eu falo como eu quiser, Jota! Você faz o que você quiser e eu o mesmo! De agora em diante, cada um faz o que quiser! Eu estou indo embora! Eu vou embora da sua vida e não vou voltar. E não quero mais que você me procure. Nunca mais.

– Pare com isso, Anna Lara… você sabe que o nosso amor, a nossa história é muito maior do que esse problema que estamos enfrentando. Não vamos acabar com tudo o que construímos por causa de um problema. Anna Lara, você é minha vida. Não sei viver sem você!

– Pois eu acho que você, de agora em diante, vai ter que aprender muitas coisas… vai ter que aprender a viver sem mim e a ser o “pai-perfeito” a que você se propõe.

Aguentaria o que fosse para ter o Jota ao meu lado. Amo-o tanto, tanto que poderia vê-lo foder com cem mulheres diferentes, fazer com ele todas as obscenidades que gosta com toda e qualquer mulher que quisesse, ultrapassar todo e qualquer limite inaceitável em busca da perda do meu pudor. Eu o dividiria com o mundo, se tivesse, ao menos, uma certeza: de que no final ele seria meu, completamente meu. Aceitei dividi-lo esse tempo todo com todas essas mulheres justamente pelo meu egoísmo e pelo meu medo.

O medo de perdê-lo me fez abrir a porta para uma infinidade de depravações, e o meu egoísmo me trouxe para o fundo do poço da moralidade, de onde minha alma vil não consegue reunir forças para sair. Sou um ser incompleto, que vive a vida com devoção extrema ao seu Deus. Sim, Deus. Para mim, Jota não é um homem nem mesmo meu marido. Para mim Jota é o meu Deus. O Deus que está acima de todas as coisas e pessoas. O Deus que me guia para a vida plena, que me entrega todo o prazer que eu consigo enxergar nessa vida. O Deus com quem eu quero ter nosso filho, nosso filho perfeito, fruto do nosso amor perfeito. A minha religião é ele; é para quem eu rezo e de quem eu sou devota. Não existe em nenhuma parte do mundo alguém que o ame mais do que eu. Alguém que aceite mais do que eu as coisas que aceitei deste homem. Não existe amor maior. Entreguei muito mais do que meu corpo para esse relacionamento. Entreguei minha alma e minha vida. E hoje minha vida acabou. Acabou com a notícia da chegada desse ser desgraçado, com esse ser que eu desejo que morra pouco depois de nascer, que pare de respirar para que eu possa continuar… esse ser quedesprezo e que odeio. Como odeio essa criança! Odeio-a com todas as minhas forças! Pecado ou não, eu só sei que a odeio.

Estou apavorada com a hipótese real de não ter mais o meu Jota. De ter que dividi-lo para sempre com um outro ser, entre fraldas e mamadeiras. Um ser diabólico que entrou na minha vida para me destruir!

E foi assim que eu fui embora da vida do meu amor. Correndo, fugindo… suportaria qualquer coisa em nome desse amor. Aceitaria qualquer traição, qualquer promiscuidade, qualquer grau de depravação. Aceitaria tudo em nome desse amor. Mas a única coisa que eu não conseguiria aceitar é ver crescer um ser perfeito diante dos meus olhos, sabendo que esse ser é fruto do meu amor em outro ventre que não é o meu. Não suportaria ouvir o riso dessa criança ao lado da minha dor contida. Não suportaria ver a felicidade do Jota ao abraçar essa filha e ver que a vida, que se esvaiu do meu corpo, agora habita um outro ser que nada tem a ver comigo.

 Eu o dividiria com o mundo, se tivesse, ao menos, uma certeza: de que no final ele seria meu, completamente meu.

Próxima leitura -> Capítulo 15

***

Trilha sonora:  Against All Odds (Phil Collins)

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