Capítulo 22

Mergulho em um abismo conhecido, com rochas e espaços vazios que ecoam no fundo da minha alma solitária, até alcançar a superfície áspera do parquinho da Praça Nossa Senhora da Paz. É ali, no meio de pombos e balanços enferrujados que me distraio com a Vó Lia em meio aos raios de sol que buscam alcançar meus cabelos loiros e ralos. Distraio-me correndo em volta do banco da vovó sem me preocupar com o passar das horas, sentindo a brisa gelada do fim da tarde refrescar as maçãs do meu rosto, em esquálidos flagelos de alegria. É véspera do aniversário da Caroline, mas ela não está aqui. Ela está no Dr Ulisses, porque está doente. A Caroline vive doente… não sei por que ela não toma aquele remédio da mamãe, aquele que ela diz que tem uma coisa que faz melhorar de tudo. Pergunto para a Vó Lia que horas vamos ver a Caroline e ela me dá um sorriso triste, um igual ao que ela dá para a tia Amélia quando elas discutem.

Percebi que não conseguiria viver longe dele, mesmo que isso significasse viver longe da Heidi… pedi perdão para minha companheira de quatro anos de caminhada. Disse que meu amor por ela não havia acabado, mas que precisava viver de novo essa história com o Jota. Me sinto incompleta desde o aborto que eu provoquei, o aborto que matou o Miguel e um pouco de mim. 

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Trilha sonora: Jeremy – Pearl Jam

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