Capítulo 31

Certa vez, em um banho de mar admirou o contorno sutil dos mamilos rosados de sua pequena “Mareu”, levemente disfarçados sob a camisola branca de renda francesa. Também buscava encontrar a escuridão que começava a se formar no meio das pernas da menina-moça, em um compasso de dor e satisfação. Queria ser ele o primeiro homem a deflorar tamanha beleza. Não tinha dignidade, menos ainda, caráter, para pensar que era o sangue do seu próprio sangue, a que estaria experimentando tão fabuloso néctar.

Uma semana depois…

Vou até a casa da Tia Amélia para ajudá-la a preparar a festa de aniversário do Agnaldo.  Lá chegando, vejo a caixa de madeira, ainda empoeirada, na mesinha de cabeceira ao lado da minha antiga cama. Uma vontade incontrolável de abri-la se mistura com um medo genuíno do que vou encontrar ali dentro. “A Caixa de Pandora”. Lembro das palavras da Tia Amélia:

Para continuar a leitura acesse:

Próxima leitura -> Capítulo 32

***

Trilha Sonora: Million Years Ago – Scarlett Cherry and Jason Yang

***

Nota: História das dançarinas Ghawazee:

Ghawazee, para os egípcios, significa ciganas. Assim eram chamadas as dançarinas de Dança do Ventre, no Egito Antigo, que se apresentavam nas ruas, também recebendo o nome de “As Dançarinas do Povo”. As Ghawazee realizam esta dança de uma maneira toda especial, com trajes bem folclóricos, pintura tribal nos rostos, turbantes e lenços amarrados à cabeça, e músicas tradicionais, com poucos e típicos instrumentos.

A tribo dos Ghawazee trajava-se de maneira diferente do restante do povo egípcio e foi considerada por muitos como tendo as mais belas mulheres no Egito.

Em cada grande aldeia do Egito, especialmente no Alto Egito, e nas cidades do Delta, eles viviam em assentamentos de tendas e barracas. Valorizavam bebês do sexo feminino e o fato de ter um filho era considerado uma desgraça econômica. Ghawazee mulheres, sem exceção, eram criadas para serem prostitutas e dançarinas. Antes de uma menina Ghawazee casar-se, seu pai iria vender seus favores a quem pagasse mais. Ela, então, normalmente se casava com um homem de sua própria tribo.

As tribos sempre viajavam de cidade em cidade, participando de feiras e indo para os campos da trupe. Mulheres Ghawazee dançavam nas ruas, geralmente passando o pandeiro depois de seus shows. Enquanto os homens da tribo tocavam instrumentos, as mulheres dançavam sozinhas ou com algumas outras garotas, acompanhando-se com “snujs”. Muitas vezes, o povo Ghawazee dançava para ocasiões festivas no harém, em casamentos e em nascimentos. Eles tinham o prestígio de serem os mais conhecidos dançarinos no Egito e estavam entre os cidadãos mais afortunados. Sua estrutura econômica permitiu as suas mulheres adquirir considerável riqueza, fama e bons casamentos. O Ghawazee rico vestia de seda e usava colares, tornozeleiras, pulseiras de ouro e moedas. Às vezes, eles usavam um adorno no nariz. Tanto homens como mulheres pintavam seus olhos com kohl e henna em suas mãos e pés, como era o costume da classe egípcia média e superior.

Historicamente, apesar de muitas Ghawazee serem famosas e muito solicitadas como artistas, sua raiz cigana era e continuou a ser, um motivo para deixá-las à margem da sociedade. Isto se deve aparentemente a duas razões: em muitas áreas do Oriente Médio, incluindo o Egito, o caráter moral das dançarinas e músicos que se apresentam publicamente para plateias mistas de homens e mulheres, é altamente suspeito; e, também, o fato de que muitas das dançarinas eram prostitutas, e, portanto, em diversas épocas a palavra Ghazeeya foi usada como sinônimo para a palavra “prostituta” no Egito. 

No século dezesseis, durante o reinado Otomano, as dançarinas eram categorizadas junto aos grêmios e grupos comerciais de cortesãs para propósitos de taxação de impostos.

Deixe uma resposta