Capítulo 16

Não podia permitir que nosso passado fosse invadido pelo futuro dele com outras. Toda a promiscuidade de amor que tivemos deveria permanecer ali, intacta. Preservada como a vagina de uma virgem que morre precocemente. Mas nem tudo na nossa trajetória foram flores… no começo da nossa relação, passamos por muitos altos e baixos até eu…

Capítulo 17

Deu-me a comida de todos os Deuses Imorais para saciar a minha fome de outros homens. Abasteceu-me de luxúria e entorpeceu-me de prazer. Ainda no domingo, dia 31 de outubro de 2010. Às 23:42 h Heidi já está dormindo porque amanhã acorda cedo para uma cirurgia. Estou na sala tomando uma taça de Cabernet Sauvignon…

Capítulo 18

…eram os meus pés culpados pelos caminhos tortos que eu havia seguido. E minha alma pouco evoluída não me deixava ver a luz em um local tão sagrado como esse. Durmo e acordo no dia seguinte com a mesma sensação de vingança. Ela vai pagar muito caro por ter entrado na minha vida desse jeito,…

Capítulo 19

Era o meu vício: estar sedenta por mais formas de sexo vulgar. Por conhecer além do que o corpo pede, conectar-me com esse lado promíscuo que havia em mim… Durante as sete semanas que seguem… Nesse período, que corresponde a exatas sete semanas da minha vida, nem mais nem menos, descobri o que me havia…

Capítulo 20

… entre aspas, posso me deliciar com o prazer pecaminoso que é entregar o que minha mente suja arquitetou para o seu prazer, sem pudor em admitir que a minha desonra moral será completamente castigada, na moldura limitante da sua cama sagrada. Sete semanas depois… Ouço um barulho de e-mail chegando. Entro na caixa de…

 “O prazer é sempre mais mental do que carnal…”

Capítulo 21

“Sem falarmos sequer uma palavra nos aproximamos e, como em um filme, nos agarramos violentamente e desorientadamente. Sem o menor pudor nos tocamos com o desespero que pessoas famintas tocam uma comida depois de um longo jejum. Com sede da saliva que cada um compartilha com seus outros pares, nos saciamos e a degustamos. Nos…

Capítulo 22

Mergulho em um abismo conhecido, com rochas e espaços vazios que ecoam no fundo da minha alma solitária, até alcançar a superfície áspera do parquinho da Praça Nosa Senhora da Paz. É ali, no meio de pombos e balanços enferrujados que me distraio com a Vó Lia em meio aos raios de sol que buscam alcançar meus cabelos loiros e ralos. Distraio-me correndo em volta do banco da vovó sem me preocupar com o passar das horas, sentindo a brisa gelada do fim da tarde refrescar as maçãs do meu rosto, em esquálidos flagelos de alegria. É véspera do aniversário da Caroline, mas ela não está aqui. Ela está no Dr Ulisses, porque está doente. A Caroline vive doente… não sei por que ela não toma aquele remédio da mamãe, aquele que ela diz que tem uma coisa que faz melhorar de tudo. Pergunto para a Vó Lia que horas vamos ver a Caroline e ela me dá um sorriso triste, um igual ao que ela dá para a tia Amélia quando elas discutem.

Capítulo 23

Foi ele, meu filho deformado que voltou para me pedir que eu abrace o seu irmão, o Davi. Senti a presença do Miguel ao meu lado, como se ele soprasse lentamente em meus ouvidos… escutei sua voz ao mesmo tempo em que acariciei a testa aveludada do enorme bebê de sete meses.  O tempo que…