Capítulo 22

Mergulho em um abismo conhecido, com rochas e espaços vazios que ecoam no fundo da minha alma solitária, até alcançar a superfície áspera do parquinho da Praça Nosa Senhora da Paz. É ali, no meio de pombos e balanços enferrujados que me distraio com a Vó Lia em meio aos raios de sol que buscam alcançar meus cabelos loiros e ralos. Distraio-me correndo em volta do banco da vovó sem me preocupar com o passar das horas, sentindo a brisa gelada do fim da tarde refrescar as maçãs do meu rosto, em esquálidos flagelos de alegria. É véspera do aniversário da Caroline, mas ela não está aqui. Ela está no Dr Ulisses, porque está doente. A Caroline vive doente… não sei por que ela não toma aquele remédio da mamãe, aquele que ela diz que tem uma coisa que faz melhorar de tudo. Pergunto para a Vó Lia que horas vamos ver a Caroline e ela me dá um sorriso triste, um igual ao que ela dá para a tia Amélia quando elas discutem.